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Review do SYL por Robson Paulin


Álbum: Some Years Later
Banda: VARTROY
Ano: 2012

Foi motivo de alegria receber de meu grande amigo, Marcos Garcia, guitarrista da
banda Vartroy, da qual fiz parte, com muito orgulho, como baixista, por um ano, a
notícia de que o novo cd estava disponível no site.

Este novo trabalho da banda, Some Years Later, que prima por emular as raízes do
Heavy Metal Tradicional, traz o próprio Marcos nas guitarras, baixo e bateria, além de
ser o compositor de todas as faixas, algumas delas, com a vocalista, sua esposa, Paula
Bitondi, que esteve a cargo dos vocais.

Gravado no home studio do líder/fundador da banda, o novo álbum, se por um lado se esquiva um tanto das raízes mais cruas e “Maidenanas” das primeiras composições, datadas de oito anos atrás, no início de tudo, por outro, traz um amadurecimento quase que visível, não fosse audível. Ecos de rock progressivo aqui e ali, somados a texturas que remontam muito à seminal banda do guitar-hero, Mick Box, uma lenda no seu instrumento, do Uriah Heep, são percebidos em meio à já citada perene influência de Iron Maiden que sempre se explicitou no som da Vartroy, visto que seu integrante principal é um fã ardoroso da Donzela.

A quase latente influência de Helloween se faz presente em faixas como “Running
Against the Time”, primeira do cd e no meu coração (pelo menos, neste exato
momento), que lembra composições de outrora da banda, simples e melódicas. “Soul
Taker” se destaca pelo solo matador e o trabalho das guitarras “brincando” paralelas.
O “groove” bate-cabeça escondido de “Painting the Future” mexe com o esqueleto
cerebral de um headbanger tradicional e a voz de Paula se encaixa perfeitamente
com seu tom mais “loose”, “malandro”. A guitarrinha “a la” Mick Box dá o tom do
instrumental preciso. O arranjo instrumental inusitado de “A Cold Night” e a voz mais
suave aqui de Paula, com influência de sons mais contemporâneos do estilo, tornam
tudo um deleite aos ouvidos de gregos e troianos que possam se interessar pelo rock
pesado que vai além do que se convenciona fazer atualmente, pois está na medida certa;
conseguiram muitos pontos com essa!

“Destoando”, como que começando um Lado B de um bom e velho vinil, a guitarra
envolvente da intro de “Lost in the Dark” nos leva a outros patamares musicais dentro
do mesmo álbum, agora ainda mais Uriah Heep dos bons tempos, e a guitarra vai
levando a música quase que sozinha por entre o vocal cool-metal-breeze, o que pode
denotar que é a música de mais difícil assimilação do trabalho; no entanto, isso é
mais, na verdade, conotativo. O baixo dá o tom em “No Wrong Path”, delineando
seu caminho melódico e cheio de notas mortas através do som mais tradicional, na
melhor acepção da palavra, do álbum. Simples e direto, lembra também as primeiras
composições de Marcos Garcia. Paula Bitondi se arrisca mais em “Before you Leave”
e anuncia o que viria, sensações de metal tradicional novamente, agora em tom ainda
mais oitentista, arpejando aqui e ali, e nossa mente nos remete àqueles bons tempos por
quase seis minutos...Falando em anos 1980, o que dizer do mesmo clima em “Behind
My Black Walls”? Scorpions setentista ou seu dinheiro TODINHO de volta, aliado
a um tom Vatroyano e mais moderno, se quiserem. A verdade é que a guitarra de
Matthias Jabs se faz presente o tempo todo, ainda que “só” como uma inspiração, pois é
Marcos Garcia quem empunha o instrumento, e com a galhardia melódica e rasgante de
sempre.

Tendo agora as letras como base de análise, é sabido que o Heavy Metal é pródigo em
escritos excelentes e a Vartroy não fica atrás, com letras de cunho intimista, por vezes
mais radicais, por vezes mais “viajantes”; contraditoriamente, destaco uma que não
segue essa linha, a de “Behind My Black Walls”, um verdadeiro poema, que evoca,
de maneira precisa, o sentimento do narrador e, de LETRA, perdão pelo trocadilho, a
beleza da língua inglesa.

O fato deste trabalho não ter sido gravado por uma “banda inteira”, como de praxe,
não tira, de forma alguma, seus méritos, pois é “vivo”, muito bem gravado e mixado, e
consegue transpor para cada faixa, o que melhor a banda tem neste momento especial de
sua trajetória, que sempre foi de muito bom gosto e paixão pelo que faz.
Espero que a Vartroy um dia volte a se apresentar ao vivo para que possa exibir sua
qualidade de composição, integrantes e covers de clássicos do Metal, que com tanto
apuro e personalidade fazia até pouco tempo.

Vida longa a esta grande banda, o Heavy Metal, de cima de seu pedestal, o da música de
maior sentimento deste nível existencial, agradece!

Robson Paulin
Músico, Escritor e Tradutor.

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